quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Moça






Tá faltando amor próprio moça, 
tá faltando se olhar no espelho e amar desesperadamente o que ele reflete. 
Tá faltando abraçar os defeitos, ter orgulho das qualidades e toda essa conversa de amor próprio que você vê espalhada na internet.
Tá faltando se amar. 
Tá faltando acreditar nos elogios. Logo você, que espera tanto por eles, não acredita em nenhum quando ouve.
Tá faltando enfeitar o rosto com esse sorriso maravilhoso que você tem.
Tenho sentido falta de ouvir o som gostoso que sua risada canta.
Tá faltando levantar da cama acreditando no melhor.
Tá faltando tanta coisa que tu anda cheia de vazio. E nem é o vazio gostoso que a fome dá e deixa qualquer comida gostosa.
Tô sentindo falta das suas conversas longas, dos seus assuntos intermináveis, todo esse seu silêncio moça, não me parece bom sinal.
Conte me o que te aflige, me deixe te pegar no colo, ser tua companhia, esquentar teu pé nos dias frios.
Me deixe preparar teu chá.
Eu não posso ser amor se você não consegue se amar, mas posso te ajudar a ver que você tá errada moça. Você é linda! Cada sorriso seu me deixa feliz por uma semana, se você soubesse, se sentisse como eu sinto.
Tá faltando saber ser você, cadê seu manual? Quero decorar cada linha dele e ainda assim sei que você irá me surpreender.
Vem cá moça, deixa eu te dizer, não há coisa melhor no mundo do que amar você.
Experimenta aí.









Eu sou adepta de chás,
sou ansiosa demais para cafés.











sexta-feira, 29 de julho de 2016

Ainda são seis da manhã

Acordei. Está frio, se eu não estiver errada devem estar uns 20 graus lá fora, mas o apartamento é sempre um ou dois graus mais frio.
Acordei e a primeira coisa que fiz foi ver coisas que gostaria de não ter visto, a gente nunca sabe o que nos espera ao abrir os olhos.
Levantei e tomei um banho frio, gelou até minha alma, adormeceu a minha dor, ao menos por enquanto.
Nem eu, que acho que o pessimismo é uma qualidade, estava preparada para o que aconteceu, na verdade estar preparado é uma ilusão que a vida te dá, você não está no controle, eu também não, e quando mais a gente tenta controlar, mais iludidos estamos.
As rédeas da vida não são nossas.
A gente escolhe como reagir ao que a vida nos traz, não escolhemos o que a vida nos traz.
Ou escolhemos?




Eu vou só tomar um chá quente e aquecer a minha dor e esperar que o dia traga pra mim as coisas que ele planejou.




sábado, 21 de novembro de 2015

Coração

E esses amores que chegam sem avisar e vão embora sem de despedir?
Frutos de um coração aflito que na ânsia por se apaixonar devora sentimentos tão rápido que parece criança quando a mãe compra um doce, come tudo de uma vez e depois reclama que não tem mais nada legal pra comer.
Coração esse que parece geladeira no começo do mês sempre que descobre um novo par de olhos para admirar,  mas quem não consegue manter a geladeira cheia o mês inteiro saberá então gerenciar um coração?
Ansioso, sedento, birrento, quer pra ontem o que poderia ter pra vida inteira, não aguenta esperar, esperneia, chora, faz escândalo e por conta disso coleciona uma agenda cheia de nomes, números e nenhum sentimento.
Devorador, apressado, impulsivo, não fosse um coração poderia facilmente ser um monstro desses que vivem embaixo da cama de criancinhas.
Coração que a cada sorriso seu acha ter encontrado a cura, vê em você toda a calmaria que gostaria de ser.
Se fosse um carro seria dirigido por algum embriagado na madrugada desses que dirigem cheios de confiança, mas eu, você e o resto do mundo sabemos que bêbados não são bons motoristas, dão sorte as vezes, mas com a sorte meu bem, não podemos contar.
Não foi sempre assim.
Antes de toda essa ansiedade viveu-se uma vida inteira de amores platônicos, com sonhos regados a chocolates e rosas vermelhas, que nunca chegaram.
Viveu-se uma vida inteira de não conseguir sequer cruzar olhares, sorrisos então? Santa mãe de Deus, é preciso mais que coragem pra demonstrar o quanto se quer alguém.
Viveu-se uma vida inteira de imaginar metades das laranjas, mesmo livros, mesmos objetivos de vida, mesmo esquisitices, mas amor platônico não enche coração e coração não foi feito pra ficar vazio CORAÇÃO FOI FEITO PARA TRANSBORDAR, amores platônicos não fazem a vida valer a pena, fazem perder o ar, a espontaneidade, todas as palavras aprendidas desde criancinha quando se tem uma conversa com o outro, mas fazer a vida valer a pena quando se trata de amor tem que ser a dois, me desculpem os modernos, amantes de superficialidade que é cair de boca em boca, de festa em festa, de cama em cama, desejo por desejo apenas pode até ser bom, pra mim se for a dois tem que ter sim o coração ali, transbordando sentimento. E é bem por isso que esse coração trocou os amores platônicos por toda essa ansiedade e um a um espanta todos aqueles que sabem mesmo que o bom é a calmaria e ansioso por encontrar essa calmaria acaba sempre só, batendo sozinho, uma dupla de um, tocando melodias tristes em dias de chuva.
Mas, a vida é isso mesmo, ir vivendo pra ver onde isso tudo chega e não importa quantos corações apareçam no percurso, há sempre a esperança que o próximo vai ser aquele que será o responsável pelo seu último primeiro beijo, mas por hoje eu vou esperar, porque na verdade essa busca me deixa exausta.







Antes um coração que transborda que um coração que não se abre, ninguém deveria ter que convencer ninguém que amar vale a pena (ou se apaixonar ao menos um pouquinho).


NP - Rude (feat Flula) por Madilyn Bailey


sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Sexta

Sexta feira lá é dia de sentir saudade?
Sentir o peito apertar, sentir o ar pesar.
Sexta feira lá é dia de sentir?

Fosse como sábado, onde tudo pode acontecer.
Fosse como domingo, onde tudo se lembra (ou se tenta lembrar).
Fosse como segunda, onde é inevitável recomeçar.
Fosse como terça, dia de acordar sem medo do que vem pela frente.
Fosse como quarta, onde as chances de tudo dar certo caem pela metade.
Fosse como quinta, quando o corpo já anseia pelo dia seguinte,
mas é sexta.


Todo dia é dia.
Saudade não tem hora, mas tem sempre companhia.



Cause I'm just holding on for tonigh, Sia - Chandelier

sábado, 3 de outubro de 2015

Sábado

Hoje é dia de faxina, Helena.


Acordou,
tomou um banho frio,
passou o café e separou o seu melhor, não que não tenha separado das outras vezes,
mas hoje queria só o melhor, porque o pior todos já tinham mapeado, sabiam de cor.
Abriu as janelas na esperança de que  ar novo expulsaria a ansiedade suspensa, quase tangível que pesava o ar, até as paredes do apartamento pareciam prender a respiração.
Tirou o pó, limpou a casa, lavou a roupa, deixou o banheiro de molho.
Queria acreditar que cada cômodo precisava de faxina e não ela.
Cada gota de água derramada durante o processo era convertida em agonia, e de gota em gota ela transbordou.
Deixou a cozinha por último.
Cozinhar é transformar todo o sentimento em sabor, é possível cozinhar pra quem não se ama, mas não é possível cozinhar sem amor.
O cheiro de alho até tentou tomar conta do lugar, mas a atmosfera era pesada demais e ele só saiu pela janela, hoje não era seu dia.
Cozinhar apenas para si é como guardar um sentimento no peito, faz sentido, mas é sempre melhor quando se compartilha.
Todas aquelas semanas aprendendo a meditar e mesmo assim não consegue calar a mente, tentou dormir depois do almoço, não conseguiu.
O calor da tarde invadia tudo.
Eram quase três da tarde, havia uma lista de afazeres não domésticos não feitos, mas não havia nada também na agenda do domingo.
Tomou outro banho frio, tomaria trinta deles, se soubesse que esse sentimento impregnado seria diluído, mas afinal, esse sentimento era hidrofóbico, insolúvel em água.
Já passavam das cinco da tarde, pegou um livro e esperou a noite chegar,
o dia seguinte seria domingo, até esse sentimento sentiria preguiça de acordar, mas se acordasse tomaria então uma decisão.
Não podia deixar o apartamento com esse ar pesado, estava quase irrespirável lá dentro.


"Mas se você pensa que o mundo é um mapa
E que é fácil se achar sem se perder
Vai ter de aprender a aprender a viver.
Ninguém mata a sede bebendo mágoa".
Dinda, um túnel no fim da luz.







quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Inacabado



Deve ser fome e se não for eu faço virar, todo vazio é fome.
Não de comida, não todas as vezes pelo menos.
É fome de vida, de viver, de ser o que se deveria ser.

Deve ser fome, fome de sentimento que nunca sacia.
Nunca passa.



Não sei descrever o quão estranho é algo que te moía por dentro não fazer mais nem cócegas.
Acostumada que estava com coisas passageiras que pareciam durar toda a eternidade.
Acostumada com rédeas que sempre saiam do controle.
Acostumada em deixar as rédeas saírem do controle.
Não sei como adquiri o hábito de transformar grãos de areia em saaras,
meios copos de água em tempestades destruidoras, irreparáveis.


Negar escrever é sufocar um grito da alma.




sábado, 8 de agosto de 2015

Banho


Acordei com a cabeça pesada, me peguei pensando se era sangue mesmo que corria nas minhas veias ou o que sobrou dos destilados de ontem.
Resolvi, antes de mais nada, tomar um banho.
Entrei embaixo do chuveiro quente, pelando, como diria minha mãe e fiquei lá,
cinco, dez, quinze, vinte minutos, sem vontade nenhuma de sair dali e encarar a vida lá fora.
Fechei os olhos.
As vezes acho que se a gente ficasse tempo suficiente no banho todos os problemas do mundo se resolveriam,  porque banho é pra isso, resolver os problemas.
Tenho a impressão que se a gente ficasse tempo suficiente no banho até os amores passados escorreriam pelo ralo.
Até você escorreria pelo ralo.
A gente costuma tomar decisões drásticas demais durante o banho.
Fiquei lá até minha pele enrugar,  até meu corpo pedir arrego da água quente demais.
Pra falar a verdade, acho que a vida adulta começa na primeira vez que você toma banho e passa mais tempo pensando  na vida do que com o sabonete na mão.
Teve um tempo que eu nunca entendia porque as pessoas se demoravam no banho,
ou pensavam no banho, a função do banho era deixar você limpo.
Só agora eu entendi o quão limpo você pode sair de lá.
Por falar em sair,
fiquei tanto tempo que se fosse possível a água teria transbordado, e ao invés de escorrer pro ralo, meus pensamentos invadiriam tudo, junto com a água.



terça-feira, 30 de junho de 2015

Dez pra meia noite

Eu ainda tenho aquela nossa fota guardada,
tenho também algumas outras que eu nunca te disse, mas salvei.
Um clique de distância de todas as lembranças.
Confesso que eu prefiro aquelas em que você não está sorrindo, prefiro aquela preto e branco, que mesmo na tela do computador é possível ver a esperança refletida em seus olhos.
Sempre me apaixonei por sorrisos, mas devo admitir que quando se trata de você, me pergunto pra que esse olhar? Que perfura a gente, lê a alma. Como se nada passasse despercebido, nem a menor mentira, nem o maior sentimento. Pra que esses olhos? Porque na minha direção?
Ah meu bem, que queres que eu diga? Sabes que eu não sei ser outra coisa senão esse poço de sentimento. Até tentei gelar o coração, mas ele se recusou e eu sabiamente ouvi.
Mas falávamos de você, meu assunto favorito, mesmo que nunca tenha admitido isso em voz alta.
Nunca te disse, mas me lembro muito mais nitidamente da primeira vez que pegou na minha mão do que quando me deu o primeiro beijo.
O problema é que eu sempre tive memória fraca sabe?
Então as vezes eu pensava que você já tinha ido e você ainda estava lá,
as vezes eu achava que você ainda estava lá, mas a cama já tinha esfriado, deixando do meu lado só o seu perfume, que diga-se de passagem eu nem lembro qual é, mas lembro que eu gostava, demais.
Lembro também que você sempre falava comigo como se eu fosse de vidro, altamente quebrável, me diga meu bem, como é pisar em ovos o tempo todo? Eu não aguentaria, não sei como você aguentou, mas agradeço.
Não deveria agradecer, mas acho egoísmo guardar tanta gratidão. Você foi dono dos meus melhores sorrisos, mas no final, acho que todo sorriso é o melhor. Então diria que, enquanto estávamos juntos, meus sorrisos eram pra você, inquilino de sorrisos você seria, por assim dizer.
Queria dizer meu bem, que essas mal traçadas linhas não teriam nem metade do valor se a inspiração fosse outra, ou talvez teriam, eu tendo a supervalorizar a maioria das companhias, e no fim, acho que todo mundo é inspirador. Mas se eu pudesse personificar a inspiração, ela atenderia pelo seu nome.
Seu nome. Seu cheiro. Seu, pronome possessivo, mas sempre foi o pronome errado, nunca foi meu.


Been wondering if your heart's still open, and if so I wanna know what time it shuts.


sexta-feira, 12 de junho de 2015

Tempestade

Eu nunca escrevi no dia dos namorados, quando a vontade bateu fiquei meio relutante, mas eu sempre cedo, passar vontade é sempre ruim, passar vontade de escrever é duas vezes pior.


Helena é um nome forte, desses que só uma mulher forte consegue carregar, essas mulheres que abrem espaço antes mesmo de passar, dessas que não precisam pedir atenção, que não precisam levantar a voz pra serem ouvidas.
Mas não a minha Helena.
A minha Helena sempre quis ser furacão, mas foi sempre calmaria.
Sempre quis ser dessas que tiram o fôlego, fazem as pernas ficarem bambas e o cérebro atordoado,
dessas musas por quem você perde a razão, compra flores, passa noites em claro, manda mensagens, perde o medo, dessas por quem se esquece de viver, tenta entender o universo por causa delas, dessas mulheres que não se prende, dessas que o amor próprio transborda sem afogar.
Sempre quis ser dessas mulheres por quem se move céu e terra para ter e não perder. Nunca perder.
Dessas que só de olhar você acha impossível conquistar e quando conquista se pergunta todo dia como conseguiu.
Helena sempre quis ser tempestade, mas só sabe ser garoa.




Colocou aquele pijama velho,
pegou o chá e deixou em cima da mesinha,
calçou as meias e pôs o filme favorito pra rodar.
Afinal, só tem importância se você der importância,
caso contrário, é vida que segue. 


sexta-feira, 22 de maio de 2015

Curvas

- Você nunca sabe o que vem depois das curvas,
  pode ser qualquer coisa, então,
 porque você prefere curvas?

- Eu não sei, respondi, com toda a sinceridade, porque eu realmente não sei.

Seria tão mais cômodo olhar pra frente e ter certeza do que virá, mas as coisas não funcionam assim.
Simplesmente aceitei que minhas escolhas tem sempre metade de chance de darem certo e há algum tempo eu aprendi que dar certo nem sempre é o que a gente espera.
Nada é como a gente espera.
Nada.
Eu tenho um plano de vida traçado desde os 13 anos de idade,
muito simples:
Estudar, passar no vestibular, formar e ser pra minha mãe tudo que ela foi pra mim, pro resto da vida.
Parece um caminho tão linear.
E olha que até agora tá tudo dentro dos planos, mas nada saiu como planejado, deu pra entender?
Tem uma frase que diz assim: uma linha reta, uma meta, um objetivo.
Mas eu não fui feita pra retas.
Eu não sou feita de retas.
Eu sou toda torta, nada no lugar, nada previsível, nada.
Gostar de retas seria trair minha identidade, seria negar quem sou.
Tenho metas,
 linhas retas, 
sonhos e objetivos,
mas eu gosto mesmo é ser surpreendida.
Já dizia o Bial (na época que ele falava umas coisas bacanas):
"Se preocupar com o futuro é como mascar chiclete pra resolver uma prova de álgebra".
Mas a gente também não pode deixar tudo a mercê do destino, a gente não pode deixar a vida correr, sem rumo, pra onde ela bem entender.
Mas é isso que ela faz, sem nosso consentimento, a vida é desobediente.
E mesmo morrendo de amor pelas curvas da vida, não dá pra negar que a gente sente um alívio imenso quando encontramos uma reta.

Desculpa as contradições, as palavras rasas e as analogias pobres,
é que tem dias que as palavras teimam,
não dizem o que a gente quer que elas digam.






quarta-feira, 15 de abril de 2015

Aos dias como hoje

Um apelo aqueles dias que a gente acha que era melhor ter continuado a dormir.
Um recado a todos aqueles dias que fazem a gente duvidar das nossas escolhas.
Um desabafo sobre aquelas dias que a gente passa horas no banho pra ver se o peso do dia escorre pro ralo.
Uma homenagem a todos os dias que fizeram a gente só chegar em casa, botar aquela playlist e esquecer do mundo.



Não deixe que os dias ruins definam quem você é.
Não deixe os dias ruins saberem que tem algum poder sobre você,
não deixe os dias ruins terem poder sobre você.
Não deixe que o cansaço te vença, que a fadiga te alcance, não esqueça que sorrir e acenar é sempre a melhor alternativa que a vida dá pra gente.
Não deixe, não deixe, não deixe.
Vamos lá, não deixem as lágrimas fazerem o papel da humidade do ar no seu rosto.
Não deixe as lágrimas serem sua chuva pessoal.
Não esqueça que a alegria cabe em qualquer lugar,
não esqueça que a criança que você foi nunca pretendeu ser um adulto triste,
não seja um adulto triste.
Eu sei que alguns dias são piores que outros e alguns dias são todos os dias piores juntos, acredite eu sei, sei também que esses textos motivadores da internet são a autoajuda dos dias de hoje e que autoajuda é uma bosta, mas uma coisa eu tenho que concordar, eles tem razão quando dizem que o melhor remédio é ser feliz mesmo. E olha que eu passei a vida lendo autoajuda só pra poder criticar depois, nunca curti autoajuda, mas como hipócrita que sou (no que se trata desse assunto) vim aqui dizer, lava essa cara e esquece esse dia ruim, outros virão,  muitos deles bem piores que hoje.
Solte esse ar, arrume essa postura, reorganize a cabeça, o coração, a alma e o que mais for preciso pra te lembrar que sorrir ainda é o que nos resta a fazer, sempre.
Todo dia, toda hora.
Seque essas lágrimas, lembra quando lá na infância sua mãe dizia 'engole o choro'?
Então engole o choro.
Não tô aqui dizendo pra você se sufocar de sentimento, nem pra transbordar de agonia,
só estou dizendo pra você não deixar que isso defina quem você é.
Se vira do avesso e se ama por dentro.
Se vira.
Aumente o seu coeficiente de viração, e tome um rumo,uma ducha, um chopp, um caminho.
Só não deixe que os dias ruins tenham mais poder sobre você que os dia bons.

Pode ser mais um dia ruim, não vai durar pro resto da vida... (Drive, mais um dia ruim)
enquanto ele não acaba vou ali, tomar um daqueles banhos que levam tudo embora.


Vem aqui, vamos conversar, queria dizer bem ao pé do ouvido e de dedos entrelaçados
que equilíbrio a gente cultiva, não é genético.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Nós acendemos as luzes da cidade

Helena, em primeira pessoa.


É que hoje o dia amanheceu pesado sabe? Com tudo fora do lugar.
A xícara do café de ontem ainda está na mesa, lembrando o quanto é ruim fazer todas as refeições sozinha, acordei, abri a janela e fiquei vendo a chuva cair, mas tive que fechar, o ar parece mais frio quando você não está.
É que hoje eu acordei com saudade sabe?
Sentindo falta de algo.  Não, não é aquele vazio que circula os textos por ai, é um excesso.
Depois de tanto tempo os meus problemas ainda são os excessos.
É  que hoje eu acordei meio eu, meio como eu era na adolescência, meio como sou agora, acordei com a cabeça pesando uma tonelada e o corpo feito chumbo e eu nem bebi.
Acordei com vontade de fazer uma tatuagem, vontade de mudar o disco, escrever uma música, dançar uma valsa, mas o clima tá pesado demais, demais.
O sol ainda não nasceu e quando isso acontecer as nuvens de chuva não deixarão ele fazer o que faz de melhor, eu na verdade prefiro assim, sou meio nuvem de chuva sabe?
Eu prefiro ver as gotas de chuva baterem na janela e escorrerem, é bonito ver o que a gravidade faz com a água, tanto nas janelas quanto nos olhos.
Mas a quaresma chegou e se ao fim eu tiver conseguido jejuar de tudo que pus na lista sua falta não será estará mais aqui.

 E se?
É sempre mais doce escrever quando se tem uma inspiração.
Mesmo que seja uma inspiração como você.









domingo, 15 de fevereiro de 2015

Quantas vezes a gente sobrevive a hora da verdade?


Eu estava escrevendo sobre como dias de ressaca são tão inspiradores quanto o dia seguinte ao pé na bunda quando a seguinte frase surge na timeline do meu twitter:

Aquela sensação de merda de "Ah, se eu soubesse antes"

Se eu soubesse e soubesse que o final não seria igual ao das animações das disney eu teria medo.E o medo me paralisaria.
Se eu soubesse e o final fosse feliz perderia metade da graça. Mas eu saberia que no final tudo acabaria bem.
Se eu soubesse eu teria magoado menos pessoas e me magoado menos ainda. Eu teria escolhido o silêncio mais vezes.
Se eu soubesse eu teria desviado o olhar daquele sorriso, ou teria ignorado aquela sensação boa de quando descobri que além daquele sorriso você ainda tinha o gosto musical incrível.
Se eu soubesse  antes as escolhas difíceis da vida quase não existiriam, na verdade, muita coisa deixaria de existir. Os caminhos certamente não seriam os mesmos, nem os beijos, os gostos, os programas de tv que eu vi, nada seria igual.
O saber mudaria tudo. Tudo mesmo. E principalmente, mudaria quem sou.
Se eu soubesse antes tudo seria mais fácil.
Tudo estaria no seu devido lugar, inclusive todos esses sentimentos bagunçados.
Mas eu não tenho certeza se eu queria saber de tudo antes.










sábado, 10 de janeiro de 2015

A minha,a sua e a nossa obrigação de ser feliz

Eu quero mais é ser feliz, feliz, feliz, correr atrás do que me faz feliz, da minha felicidade, etc e tal.
Mas quando foi que eu comecei a querer ser feliz minha gente?
Em teoria a gente só deseja o que não tem.
Quando foi que eu, você, todos nós, começamos a desejar ser feliz?
No dia que a gente parou de ser feliz. Será? E a gente parou de ser feliz? Nem vi, nem senti.
E quando foi isso? Quem decidiu que a partir daquele momento eu queria ser feliz? Eu?
Ou vai ver você quer ser mais feliz do que já é e eu estou aqui só julgando, se esse é o seu caso, que feliz!  Mais felicidade, que bom, dizem que é melhor sobrar do que faltar.
E quando foi que a felicidade começou a ter segredo? Encontre o segredo da felicidade, que felicidade mesquinha, sete passos para ser feliz, felicidade é tipo exercício físico agora? E os sedentários? Encontre o caminho da felicidade! E se eu não tiver GPS? E se eu gostar do jeito que está? Parece que todo mundo tem que correr atrás dessa tal felicidade, é tipo uma lei imposta pela vida, VOCÊ TEM QUE SER FELIZ, se você não for você é um fracassado, sei lá, acho meio pesado isso, mas é o que dizem por aí, dizem até que a gente era obrigado a ser feliz, no mais, feliz 2015, porque eu acho mesmo que todo mundo nasceu pra ser feliz, fazer o que né? Inclusive, vendo GPS pra quem não tá conseguindo encontrar o caminho da felicidade, dá um alô  por ai que a gente vê como faz.



quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Adjetivo

Tem uma música da Priscilla Novaes Leone que diz assim:

 "Caro é transformar-se em um arremedo de si próprio
A ponto de nem se reconhecer mais".


Reconhecer-se.
Seja o sorriso de canto de boca,
o jeito de falar,
o jeito de pensar,
de se expressar,
o jeito de expressar opinião,
o jeito de não expressar opinião,
todo mundo tem um jeito,uma característica que te define, uma só palavra que diz mais sobre você do que um biografia completa não autorizada, sim, porque as não autorizadas são sempre mais legais.
Não querendo estereotipar ninguém, mas eu acho que somos um conjunto de adjetivos e um resume nossa personalidade. Lembra quando a professora lá na terceira série te ensinou o que eram adjetivos? Eu acredito que todos temos um adjetivo que nos veste perfeitamente.
O problema é quando essa vestimenta não é a mais adequada, desculpe a metáfora pobre, metáforas não são minha praia (ainda estou descobrindo qual minha praia na verdade, mas posso afirmar que não são metáforas). Enfim, o problema é quando o que te define é o pior que existe em você, quando eu era criança e aprendi sobre adjetivos  achei que adjetivo era só coisa boa, por que os exemplos eram sempre: Maria é bonita, João é médico, Pedro é inteligente, nunca eram exemplos com características ruins, mas a gente cresce e descobre que características ruins também podem qualificar substantivos.
Acontece que a gente é apegado a quem a gente é, quem a gente se tornou, fomos moldados pelas nossas experiências, escolhas, e tudo mais que forma a nossa personalidade, auxilia no amadurecimento ou endurecimento, dependendo da pessoa, gostamos de ser quem somos porque somos resultados de tudo o que vivemos. E não gostar disso é admitir que falhamos em algum ponto do caminho.
É admitir que poderíamos ser melhores do que somos.E admitir que podemos ser reconhecidos mais pelos nosso defeitos que pelas nossas qualidades.
E reconhecer isso é duro, porque depois que a gente reconhece a gente se sente na obrigação de mudar, e mudar é admitir que algo não está bom, é assumir uma responsabilidade com você mesmo, e se você falhar com você será culpa sua, só sua e dessa vez não vale dizer "a culpa é minha, boto ela em quem eu quiser" porque só vai ter você para receber a culpa.
E não dá pra fugir de você mesmo.
E não dá pra deixar um adjetivo ruim te definir.
E não dá pra seguir vivendo a vida, porque todo dia você vai se lembrar que a sua maior característica te faz uma pessoa que você não gostaria de ser, mas é.








 Essa maldita mania de viver no outono...
Sara Westphal




segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Aos pessimistas, com carinho

Sobre o direito de desistir

Se você é um desses otimistas incuráveis, por favor, pare de ler esse texto agora, esse texto não vai te fazer bem e vai contra todos os seus valores, contra os valores de todos vocês que acreditam piamente que no final tudo acaba bem.
Todo mundo tem um limite, sim, eu sei que tem gente que parece que não, e sei que essas pessoas são altamente competentes, responsáveis, cumprem prazos e compromissos, são pontuais, são legais, dão conta de tudo, e eu, você e o resto de todos nós gostaríamos de ser assim e são nessas tentativas de querer ser como essas pessoas que a gente costuma se estrepar, com perdão da palavra.  Acorda e diz, cansei, vou ser altamente produtivo a partir de hoje e começa a se testar, assume mais compromissos e responsabilidades, abraça o mundo com as pernas e faz o seu melhor pra tudo dar certo.
Aí um belo dia você descobre que o seu melhor não é suficiente e faz mais e mais e mais e mais e mais e mais e mais e ainda não tá  nem perto de ficar bom, pode até ser o seu melhor desempenho na vida, mas você quer ser uma dessas pessoas de sucesso e sabe que ainda não fez o suficiente.
E as coisas começam a acumular, e você se doa mais e mais e mais e mais e mais e o resultado esperando nunca é bom, porque você está tentando fazer mil coisas ao mesmo tempo.
E sua cabeça vira uma zona e tudo passa a ter prioridade máxima, menos você.
E você dorme menos.
Come mal.
Está sempre correndo.
Sempre ocupado.
E sempre cheio de coisas pra fazer.
Acorda e vai dormir pensando em como dar conta das suas tarefas.
Eu tenho uma coisa pra dizer a você, você tem o direito de desistir.
Não tô falando pra você virar um "desistidor", uma arranjador de desculpas, um medroso.
Tô falando pra você reconhecer os seus limites, saber até onde você pode ir e o quanto você pode avançar, evoluir e qual o momento de parar, se for preciso parar.
Eu sei, essa coisa de você pode, você consegue, basta dar o seu melhor é altamente inspiradora, mas veja lá, não é a coisa mais funcional que eu já vi na vida, até porque eu tenho pouquíssimo pra falar sobre da vida, tem gente muita mais vivida e mais inteligente do que eu pra dar conselhos, eu não dou conselhos, eu só desabafo, obrigado por ler meus desabafos.
Eu queria achar um jeito melhor de poder falar, faz só o que você sabe que vai dar conta e faça bem feito e aumente sua carga aos poucos, faça disso um hábito, não precisa sair perfeito da primeira vez, refine, retrabalho nem sempre é a pior coisa do mundo, sim, tem gente que dá conta, tem gente que consegue por o pé na cabeça, mas não é porque ele consegue que você tem que conseguir. Acredito que a sociedade cobra de nós uma força que somos sim capazes de ter, mas não assim, de repente, a gente evolui, vai crescendo, amadurecendo, se conhecendo e se reconhecendo, por isso eu digo, desista se for preciso, desistir não é atestado de covardia, ninguém trabalha bem sobrecarregado, o emocional falha, a saúde falha, dê um passo atrás, você não vai ser uma pessoa melhor ou pior por isso.
As vezes persistência é só uma máscara pra teimosia, dar murro em ponta de faca, etc.
O sucesso vem com a caminhada e nem todo caminho é uma reta.
Assumir que o caminho escolhido é ruim é o primeiro passo pra mudar a rota.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Primeira pessoa


Eu aprendi a me perder no mundo da leitura lá pelos 10 anos, quando a escola decidiu que já era hora de obrigar as pessoas a comprar o livro que tinha na lista de materiais e poucas coisas na minha vida me mudaram tão drasticamente, eu leio até lista de compras de supermercado se tiver ao alcance dos olhos, menos auto ajuda, nada contra, li até uns 5 ou 6 pra tentar entender porque fazem tanto sucesso, não entendi.
E eu descobri muito cedo que se ler é uma delícia, reler então, é um orgasmo, com o perdão da palavra aos mais recatados, reler te traz sensações novas e inimagináveis, eu aprendi muito cedo a reler livros, tem livros que já li mais de 10 vezes, mas nada me dá tanto prazer quanto reler diálogos.
É na conversa que deixamos escapar as melhores risadas, os olhares de cumplicidade...
E eu registro diálogos desde os meus 14/15 anos.
E como a minha memória é fraquíssima isso me faz lembrar de como eu era, do que ainda sou, porque algumas coisas são nossas pra sempre.
E as promessas de pra sempre...
E as promessas corriqueiras...
Registrar diálogos faz com que as nossas memórias fiquem mais limpas, impede que o passado deixe tudo a meia luz, enfeitando o que não era tão bonito assim e escondendo o que é.


sábado, 12 de julho de 2014

Beijo

Helena

~ Leia ouvindo Radioactive, Imagine Dragons ~

Helena sustentou o olhar e ele veio, sem meias palavras, sem aquele sorriso de bambear as pernas, sem aquele ar de seriedade que costuma intimidar as pessoas que não o conhecem bem.
Só veio.
E quando deu por si tudo que ela sentia era o corpo dele junto ao seu, a boca dele junto a sua, tanta coisa não dita, tanto a se dizer, no salão ninguém prestava atenção naquele casal, ninguém sabia que aquele beijo era o beijo mais importante da vida de Helena, nem Helena tinha ciência disso, tanto que esqueceu que aquela boca não era do seu namorado.
Ele, que era dono do seu coração, dono dos seus pensamentos. Era por ele que Helena fechava os olhos pra ouvir o coração, era a voz dele que permeava seus pensamentos noturnos e era pela companhia dele que ela ansiava nas noites de insônia, mas não era ele que estava ao lado dela. Ele era um desencontro. Foram muitas as tentativas, infinitas, mas tudo sempre resultava em mais desencontros até o beijo.
E depois do beijo teve uma noite, conversas, diálogos sobre nada importante, risos, vinho, mais beijos.

E um choque de realidade. Helena encontrou os amigos do namorado, que souberam, fizeram um auê e então encontrou o namorado. Um rapaz adorável, aquele que toda sogra sonha, mas Helena ainda não era sogra, terminou, o moço em questão logo arrumou um moça adorável, que toda sogra sonha também, a ex-sogra não achava Helen adorável.
Nesse momento Helena acordou, ainda com a sensação do beijo percorrendo seu corpo, eram 3 horas da manhã, mandou um sms pro namorado sonho da mamãe e foi pra varanda digerir o sonho.
As luzes da cidade não seriam suficientes pra tirar o beijo dos seus pensamentos, acendeu um cigarro.


terça-feira, 8 de julho de 2014

Nestes braços tais ♪

Não se dê ao trabalho.
Veja bem, se for só por obrigação, não precisa nem se explicar.
Nem os pombos da minha rua vivem só de migalhas,
nem as ratazanas do esgoto vivem só de migalhas.
Então, se for por obrigação nem precisa me procurar,
dispenso suas desculpas esfarrapadas, poupo meus ouvidos, meu tempo e meu ego.
Eu não sou de vidro.
Eu não mereço sua pena.
Nem sou mais criança, veja bem, se quiser ir vá.
Se quiser vir, venha.
Mas não use muitas palavras, não gaste muito do seu tempo, não desgaste a sua lábia.
Venha só se quiser, só venha se cada célula do seu corpo ansiar por isso.
Mas não venha nunca só por obrigação.
Não ligue.
Não visite.
Não se desloque nem em pensamento se for só por obrigação.
E dessa maneira quando chegar saberei que veio por que quis
E quando vieres, aaaah, quando chegares...
Saberá que eu também não te espero por obrigação.


Veja bem além destes fatos vis
Saiba, traições são bem mais sutis
Se eu te troquei não foi por maldade
Amor, veja bem, arranjei alguém
Chamado "saudade"

Veja bem meu bem, los hermanos

domingo, 15 de junho de 2014

Inconsistência

Títulos, assim como introduções, devem ser feitos depois.
Depois de tudo.
E isso,  não é uma sugestão, é uma regra.
Depois que você já escreveu tudo que queria, disse tudo que podia, fez o que bem entendeu, só então você relê e escreve sua introdução, ou o título, porque vai conseguir (ou tentar) resumir tudo em uma linha.
É como descrever um sentimento em uma palavra.
Hoje eu escrevi o título antes.
Antes dessas linhas mal traçadas eu já sabia sobre o que ia escrever e isso é coisa rara de se ver.
Porque isso, meu amigo, é a sensação que me consome quando meus olhos olham pra outra direção.
Geralmente é só um trecho de uma música, porque sou péssima com títulos.




Eu sei apontar o erro, sem apontar onde devem ser feitas as correções.
Eu sei como deveria ter sido, como deveria ter agido.
Se eu fizesse uma prova sobre a teoria de como as coisas são eu tiraria 10.
Mas quando é olho no olho, pele na pele, ai meu gentil amigo, a história é outra.
Não há uma linha tênue que divide atitudes de palavras. Há um tremendo abismo, um poço sem fundo, uma queda livre, pra baixo, pra baixo e pra baixo. É preciso muito treino para cair de pé e pôr se a subir, colocar a teoria em prática. Atitudes tem como seu combustível a coragem, a vontade, o querer, e querer muito, precisar muito, para transformar teorias, palavras, em gestos concretos.
E sinto dizer meu amigo, nesse quesito não há sequer um ponto em mim que não seja completamente falho. Vivo e sobrevivo de teorias, não suporto olho no olho nem a distância, então meu caro amigo, não me leve a mal, sei usar as palavras a meu favor, mas não espere muito mais que isso, porque por enquanto eu só aprendi a cair no abismo.


Com a coragem que a distância dá

Em outro tempo em outro lugar

Fica mais fácil.


 
Coração Blindado - Engenheiros