domingo, 15 de junho de 2014

Inconsistência

Títulos, assim como introduções, devem ser feitos depois.
Depois de tudo.
E isso,  não é uma sugestão, é uma regra.
Depois que você já escreveu tudo que queria, disse tudo que podia, fez o que bem entendeu, só então você relê e escreve sua introdução, ou o título, porque vai conseguir (ou tentar) resumir tudo em uma linha.
É como descrever um sentimento em uma palavra.
Hoje eu escrevi o título antes.
Antes dessas linhas mal traçadas eu já sabia sobre o que ia escrever e isso é coisa rara de se ver.
Porque isso, meu amigo, é a sensação que me consome quando meus olhos olham pra outra direção.
Geralmente é só um trecho de uma música, porque sou péssima com títulos.




Eu sei apontar o erro, sem apontar onde devem ser feitas as correções.
Eu sei como deveria ter sido, como deveria ter agido.
Se eu fizesse uma prova sobre a teoria de como as coisas são eu tiraria 10.
Mas quando é olho no olho, pele na pele, ai meu gentil amigo, a história é outra.
Não há uma linha tênue que divide atitudes de palavras. Há um tremendo abismo, um poço sem fundo, uma queda livre, pra baixo, pra baixo e pra baixo. É preciso muito treino para cair de pé e pôr se a subir, colocar a teoria em prática. Atitudes tem como seu combustível a coragem, a vontade, o querer, e querer muito, precisar muito, para transformar teorias, palavras, em gestos concretos.
E sinto dizer meu amigo, nesse quesito não há sequer um ponto em mim que não seja completamente falho. Vivo e sobrevivo de teorias, não suporto olho no olho nem a distância, então meu caro amigo, não me leve a mal, sei usar as palavras a meu favor, mas não espere muito mais que isso, porque por enquanto eu só aprendi a cair no abismo.


Com a coragem que a distância dá

Em outro tempo em outro lugar

Fica mais fácil.


 
Coração Blindado - Engenheiros








quinta-feira, 1 de maio de 2014

Ainda não

Eu abri os olhos e instintivamente olhei pro relógio, são 5:56 da manhã, o despertador ainda não tocou, está programado para as 6:00 e não sabe que hoje é feriado, logo, eu ia acordar de qualquer jeito, ia, mas não acordei, acordei agora e suspeito que tenha acordado porque sonhei com você, dois sonhos em dois dias.
Eu nunca imaginei que isso ia dar "pano pra manga", eu tinha outros planos pra você, mas hoje eu senti o peito sufocar, e uma sensação já conhecida tomou conta de mim. Já é maio. E é isso que maio faz comigo.
Vai ver meu inconsciente se lembre que cada dia de maio traz uma lembrança doída, mas são lembranças de outras dores, outros amores, isso mesmo, no plural, maio, como eu já disse antes, não é um bom mês pra mim. Acontece que você foi um quase. Quases não fazem a gente sonhar, não invadem nossos pensamentos, não transforma nossas lembranças em troféus. Quases são quases.
Mas você não mexeu com meu coração, mexeu comigo, entende?
Me misturou, me fez reavaliar tudo que eu achava que sabia sobre estar com alguém, você fez muito, então por favor, deixe de aparecer nos meus sonhos, você já fez mais que suficiente para um quase, não apareça mais em pleno feriado as 6 da manhã, me deixa dormir e sonhar, não com quases, com inteiros.
O despertador tocou, ou melhor, tocou You remind me, do nickelback.
Acho que tenho que rever a escolha de músicas do despertador. Tenho que rever.


O texto inteiro me lembrou Eu esqueci você, da Clarice Falcão, mas é hora de acordar e eu não posso deixar o despertador tocar em vão:

"E é assim que você me faz lembrar de quem realmente sou"
  






quinta-feira, 10 de abril de 2014

Conjugando verbos no passado

"Foi de longe a coisa mais leve que já vivi com alguém 
Não tinha expectativa, juro, eu sou assim, sempre parece que espero mais, mas só parece.
Agora eu lembro das músicas, da sua barba, de como eu coube nos seus braços, lembro dos nossos olhares se cruzando e da batalha interna que foi pra você e pra mim.
Queria poder te dizer tudo isso mas vai parecer que eu ainda quero e não, eu não queria ter continuado. 
Mas queria ter dito mais coisas, não queria ter dito só 
"tranquilo, tudo bem, eu entendo".
Não que seja mentira, mas queria dizer que não, eu não queria mais, nem menos, sabia que faltava algo, sabia que seria inevitável, é que a gente tinha tudo pra dar certo, tinha, pretérito imperfeito."

sábado, 5 de abril de 2014

Ressaca

Helena 

A roupa de ontem está aos pés da cama.
O cabelo inclusive ainda é o de ontem, mas sem o glamour, só o embaraço.
Tem umas dez horas que tudo que ela sente é o toque do lençol sob a pele.
O corpo está mole, fadigado, os olhos pesados e o estômago virado.
Do lado da pilha de roupas há uma garrafa de água e o clima é aquele de domingo.
Nada acontece, nem o vento sopra, só um calor insuportável.
Decidiu que precisava tomar um banho gelado, pra ver se a vida muda de cor e o clima muda o jeito como toca sua pele.
Olha pro celular, ele não ligou, nem mandou mensagem, faz dias já, nem era importante, mas era algo.
Era.
Faltam 40 minutos, esqueceu que tinha compromisso.
Quem marca compromisso em um dia assim?
Que agonia!
São quatro da tarde e ela ainda não levantou da cama, as lembranças de ontem vão e voltam, os sentimentos dançam em um ritmo desconexo.
São 4 da tarde e a cama se molda ao momento de tal maneira que fica impossível levantar, o apartamento cheira a solidão, até os moveis estão com preguiça.
A água fria do chuveiro causa a mesma ansiedade que ela sente diante do novo, ela fecha os olhos e sente o frio se espalhar pelo corpo, incomoda e ao mesmo tempo faz bem, parece até imitação do dia de ontem.
Ela não bebeu.
Ela não fumou.
Ela não dormiu tarde.
É ressaca, mas não de excesso.
É ressaca de falta.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Inteira

Dia de chuva em pleno outono, pena que eu não tinha um lápis a mão.


Está sempre chovendo e quando não está chovendo faço chover, eu preciso que seja desse jeito.
Preciso é uma palavra tão forte, vou corrigir, eu prefiro que seja desse jeito, me faz sentir humana.
Ser humana.
É disso que eu vinha sentindo falta na vida.
A gente tá sempre na defensiva ou sempre buscando arduamente um objetivo, uma pessoa.
Sentia falta do meio termo, não é bem o meio termo, sentia falta da gente deixar as coisas fluírem.


De um lado gritam: se você quer conquiste, lute, corra atrás, ninguém vai alcançar o objetivo parado, esperando a vida passar.
Do outro lado gritam ainda mais alto: se for pra ser seu ninguém tira, não ligue, não telefone, não demonstre.
E hoje eu sussurro pra você: ponha um fone, aumente o volume, ignore os gritos e viva, as convenções sociais são um saco, não posso falar pra você como você deve agir, mas posso afirmar uma coisa, pessoas não são objetivos, não são obstáculos, não são causas, consequências nem nada parecido.
Pessoas são pessoas e isso já é definição suficiente.


Eu leria os mesmos livros, sofreria pelos mesmos amores,
escreveria os mesmo bilhetes, me apaixonaria pelos mesmo sorrisos,
brigaria pelas mesmas causas.


Por via de regra sempre escrevo perto de completar mais um ano de vida.
Nem sempre publico, mas sempre escrevo.
E dessa vez não escrevo por medo, ansiedade, ou só porque tô de TPM (sempre dá vontade de escrever quando tô de TPM)
Escrevo como uma forma de me presentear, de deixar gravado o sentimento de hoje.
Talvez daqui a um ano ou dois eu não lembre mais de como me sentia hoje, mas aí é só voltar pra essas páginas velhas que me encontro.


São precisamente 20:15 do dia 01/04/2014, existo a aproximadamente 7665 dias e 4 horas e 15 minutos.
Isso dá 21 anos e 362 dias.
Não tive medo de fazer 18, não mudou nada.
Tive medo de sair de casa aos 18.
Morri de medo dos 20, 20 pesa uma tonelada, sério.
Mas nem foi tudo isso, era tudo drama.
Fazer 21 foi tranquilo, tava em casa, fazia 2 anos que passava longe de mamis.
Ter 21 pesou o dobro dos 20, mas só descobri depois.

Segundo a Ludimila de uns 10 anos atrás com 18 eu já moraria só e seria rica.
Eu moro só, não posso dizer que não sou uma vencedora!
Eu também seria bailarina (não há um dia que eu não prometa voltar pro ballet).
Segundo a Ludimila de 7 anos atrás eu não casaria e não teria filhos,
ainda segundo a mesma eu seria jornalista.
A Ludimila de 4 anos atrás seria publicitária.
A Ludimila de hoje não se arrepende das escolhas que fez (mentira, quero voltar pro ballet).

Bingo! Dois patinhos na lagoa.
Eu deixei de ser tona infinitivos.
Num piscar de olhos passa e sabe aquela história do se ama por dentro?
Só vale a pena quando o lado de fora te afoga de amor.








sexta-feira, 28 de março de 2014

Every breath (♪)



Helena

Helena está no meio de uma crise.
 Por isso anda sumida, com preguiça de dar o ar da graça.
Com preguiça de ver gente, lidar com pessoas, lidar com situações.
Helena está hibernando, fingindo que não se importa, vivendo uma TPM eterna,
deixando as ligações irem pra caixa postal e a caixa de entrada transbordar de emails,
desinstalou o whatsapp, o skype, não entra mais no facebook.
Cansou do virtual, do real e da linha tênue que divide tudo isso e foi dormir.

"How to be brave?
How can I love when I'm afraid to fall? (♪)"


Não, não é um pedra no sapato.
Uma pedra quando entra no sapato incomoda tanto que é preciso parar o que se está fazendo e removê-la  para só depois continuar o caminho.
Tá mais pra quando a gente calça a meia com pressa e só percebe a dobrinha quando termina de calçar o tênis. Incomoda no começo, mas logo a gente se habitua e nem percebe mais.





sexta-feira, 14 de março de 2014

Nós

Como faz, por favor?
Tentei desatar: apertou, apertou
Alguém mais? Um amor?
Queira me puxar que eu vou, eu vou (♪)
5 a seco, feito nós.


Sabe quando a conexão da internet com o celular tá ruim e você fica on e fica off sem perceber no facebook?
Ou fica inativo por muito tempo e nem nota, dai alguém te avisa e você responde: uai, mas eu tava on o tempo todo.
Pois bem, é desse jeito que estou, tenho certeza que estou prestando atenção no meu mundo, certeza, até que de repente eu percebo que se passaram minutos, horas, desde que eu estive presente realmente. Mas eu não me desligo, na verdade eu tô lá, vendo, ouvindo e sentindo tudo, mas não o tempo todo, sei que não dá pra entender, eu também não entendo.
E pra completar ainda parece que existe um nó dentro de mim que quanto mais eu tento desatar mais aperta.
Um nó cego.
Ceguíssimo.
E eu sei que se eu cortar aqui e ali tudo fica de novo como estava antes.
Sem nó.
Sem nada.
 Vazio. Vazio. Vazio.
E ao invés de muitos emaranhados terei eu.
Mas eu não sei quem eu tenho agora e eu não quero ter somente eu.
Vou deixar esse nó tentar se desatar, enquanto isso estou offline, indisponível, indisposta, mas lembrando de como eu coube em seus braços, logo eu, apaixonada por abraços, se você está surpreso, imagina eu?



"Admito que você me embaraça,
me dá um nó, me tira do foco.
Admito, como diria a Mallu Magalhães, que eu perco o norte e o chão de tanto pensar em você.
E ainda assim estou dividida, entre você e um amor de verão.
Porque você me dá todos os sinais e depois nada.
De qualquer maneira, o outono tá chegando, e o verão irremediavelmente chegará ao fim."