segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Eu não tenho pressa,

o meu tempo é todo seu ♪

Quebra-cabeça, Engenheiros.




Tem tempos que eu ando remoendo a ideia de escrever um texto sobre despedidas.
Porque de uns tempos pra cá eu tenho dito mais tchaus do que ois.
Até logo, até breve, até amanhã, até, até, até.
Até as crianças aprendem a dar tchau cedo demais, puxe na sua memória, quantas crianças de menores de dois anos já sabem dar tchau? Aprendem a falar mamãe, papai e mais meia duzia de palavras, dentre elas tchau.
Eu quero dizer oi, prazer, olá, eu quero as apresentações não as despedidas.
Eu quero o começo.
Eu quero o frio na barriga, o primeiro sorriso, o primeiro aperto de mãos, as primeiras sensações, os primeiros arrepios.
Eu quero o começo.
Eu quero olhar de canto, a primeira mensagem, a primeira bebida, eu quero a sensação de pisar no desconhecido.
Eu quero o começo.
Eu quero o primeiro suspiro, quero o nervosismo que só as primeiras vezes trazem.
Eu quero o começo.
Porque o fim é sempre igual.



Eu queria ter perdido a aposta,
ter perdido.
Me perder.






quinta-feira, 7 de novembro de 2013

De vez

O ritual é invariavelmente o mesmo:
eu cruzo as pernas, cruzo os dedos,
ponho uma música pra tocar e olho pra tela.
Será que eu escrevo?Ou melhor, será que eu digito? (essa modernidade acaba com toda a classe e requinte dos meus sentimentos)
Mordo o lábio, penso, penso, penso e percebo que esqueci de respirar. Fecho a janelinha.
Desisto.
Penso em como seria poder falar com você.
Aí eu lembro que esqueci de inventar uma desculpa e pedir seu número, deixo pra amanhã.
Pra depois.
Pra quando a vontade passar.
Sempre tomo fôlego mil vezes pra criar coragem,
e só uma vez não sai correndo, geralmente eu só deixo
a vontade passar e ela sempre passa.
Então amanhã eu repito tudo.
E deixo de novo pra depois, pra quando a vontade passar, de vez.


Ouvindo 500 miles, hoosters.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Plural

Rascunhando a vida.

E eu levitei naquela hora, a hora que vi o seu sorriso.
No momento seguinte sabia que não tinha mais jeito, não tinha mais volta, não tinha mais chão.
Eu fecho os olhos e vejo seu sorriso.
O tempo todo, todo o tempo.
Fazia anos que eu não me deparava com um sorriso assim.,com olhos assim, parecem capazes de ver a alma, os sentimentos, tudo de mais profundo que existe.
E eu tenho medo de te olhar e meus olhos caírem em tentação.
Não posso cair em tentação com você, você se parece com todos os meus amores platônicos, está perto e longe, parece tangível, parece possível, parece real, parece, parece, parece solução mas é só problema.
Problemas.
Plural.
Mas ainda tem o sorriso mais cativante do mundo, me diz como não se deixar levar?Como?
Estou em estado de contemplação.
E esses olhos, e esse sorriso?Qual a necessidade desse conjunto de armas mortíferas?
Porque esses olhos?
Porque esse sorriso?
Riso leve, fácil de tirar, fácil de aparecer.
E eu ensaio mil diálogos.
Pareço adolescente.
Pareço menina.
E fico calada.
Por isso sei bem que és um amor platônico.
Todos os meus amores platônicos conseguiram me calar.



Luz dos olhos - Cássia

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Em aberto

E os olhares se cruzaram e Helena pensou: sustenta, sustenta o olhar, tenha certeza que eles se cruzaram porque estavam ambos procurando pela mesma coisa, porém, Helena não sustentou. Ela não é do tipo que sustenta olhares.Ela também não sabia explicar o porque de toda essa vontade, da onde vinha toda essa urgência?
Não era sentimento, era senso de oportunidade, se é que isso existe.
Helena se sentia atraída por tudo nele, pelo jeito suave de falar,pela capacidade que tinha de fazê-la ficar pendurada em cada palavra que ele dizia, pelo modo que ele sorria, e que sorriso diga-se de passagem, mas não, ele não fazia o tipo dela.
Olha só que interessante, Helena tinha um tipo e ele era oposto de todos os tipos que Helena já teve, ou sonhou ter. Todos mesmo.
E havia aquele convite em aberto. Mas e ela? Helena não sabia dizer se estava aberta a novas circunstâncias, sair da zona de conforto, enfrentar esse querer.
Helena, como vocês bem sabem, não tinha talento pro amor.
Nem pra nada que envolvesse real sentimento.
Era por isso que ele era interessante, não havia sentimento, havia a oportunidade, a curiosidade, havia a diferença, havia tudo e não havia nada e isso a embaraçava, deixava Helena completamente aturdida, o que era tudo isso? Seria essa a definição de desejo? Um querer, assim?  Que vai e volta?

Uma mesa de chopp em um barzinho qualquer.
Uma sala escura com um filme qualquer.
Um lugar qualquer.


E a zona de conforto Helena?
Ouvindo (mentalmente) Follow Rivers - Lykke Li




segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Helena.

Hoje li uma sentença que me lembrou Helena.
"Antes só do que mal apaixonada"
Conhecem Helena?


Helena não tinha talento pro amor.
Mas tinha porém um diário e quando tinha nove ano escreveu na primeira página 'eu gosto do joão'.
Só que o João não gostava dela, gostava da loirinha e era correspondido.
E o João morava na rua de cima e era amigo dos primos de Helena e os primos leram o diário.
E o resto da história vocês conhecem, mas eu vou contar mesmo assim.


Helena não era igual, não tinha beleza igual, não tinha assuntos iguais mas mesmo assim sempre teve facilidade em conquistar amigos. Mas tadinha de Helena, não tinha a mesma facilidade em conquistar amores, vivia de amores platônicos, respirava ilusão e desejos ocultos, pois tinha aprendido a não falar (nem escrever) sobre sentimentos. Na infância  e na pré-adolescência sofria por ser diferente, queria fazer parte do padrão e tentou até a exaustão, achava que o interesse do sexo oposto não chegava até ela porque ela não era igual as outras.
Na adolescência tudo continuou igual, mas agora ela já não se importava mais em ser parte do padrão, não queria ser igual, queria só que gostassem dela do jeito que ela era, não queria ser aceita, queria ser gostada. E foi na adolescência que vieram os primeiros amores (ou que ela julgava serem amores) e mesmo assim Helena respirava amor platônico. Tinha talentos pra muita coisa, mas pro amor, nunca descobriu o caminho.
E sofria. Se achava feia, queria saber o motivo de todo mundo ter um amorzinho e ela não, como se vê, ela foi uma adolescente comum, com uma infância comum.
E lia livros, procurava assuntos diversos, tentava um meio de contornar sua feiura e nada.
Percebeu que vivia em uma sociedade onde ser bonita era muito mais conveniente que ser interessante.
Mas no meio da adolescência conheceu alguém que a reconhecia e ela disse eu te amo pela primeira vez pra um zé que falou pra todo mundo e a história do diário se repetiu. Helena não disse mais eu te amo por anos. E todo mundo no mundo teve um namoradinho na adolescência menos Helena.
Mas ela ainda tinha esperança, cresceu, mudou muito, se aceitou e foi ser feliz e adivinha?
Esbarrou mais uma vez com padrões, dessa vez não estéticos apenas, Helena descobriu que não era feminina o suficiente, não era meiga o suficiente e sofreu mais uma vez, mas já aos vinte e poucos anos Helena encontrou o que tava procurava e se achou. E teve chão por muito tempo, mas acabou, então Helena se perdeu e descobriu que podia ter quem quisesse e isso de início a agradou muito, mas não o suficiente, ela descobriu que não queria ser desejada por muitos, nem por poucos, nem por ninguém.
Queria mesmo era ter talento pro amor.
Ou quem sabe talvez o amor tivesse talento pra ela.




sábado, 14 de setembro de 2013

There's no need to go and blow the candle out ♪

Lullaby, nickelback.

Hoje a comida parece estar mais indigesta que o normal, hoje não é só a minha gastrite que vai me obrigar a dormir depois da meia noite.
Hoje o que me prende mesmo é essa sensação de sufocamento.
Minha mente ainda não se acostumou com a idéia, e é tão ruim estar tão longe.
É tão ruim não compreender todos os desígnios.
Como se consola uma dor irremediável?
Os pensamentos vão e vem, algumas coisas perambulam pela minha mente.
Mas eu queria estar perto.
Queria poder fazer diferente.
Sobram tantas palavras não ditas.
Não posso sequer imaginar a dor.
Não consigo me por no lugar, não consigo imaginar como se sobrevive a uma dor dessas.
Uma dor latente, que vai virar saudade, mas vai continuar doendo.
Não consigo imaginar, a ficha não cai.
Sei também que não se põe em palavras tal dor.
Sei que ninguém nunca está preparado, mas quando vem sem ensaios deixa a sensação de tempo perdido, vida mal vivida. Quando vem assim, sem avisar, deixa em quem ficou com a sensação de que está por ir.



In memoriam.
Resta a nós o consolo de saber que Deus cuida de todos nós, sempre e em todo lugar.




quarta-feira, 4 de setembro de 2013