domingo, 15 de fevereiro de 2015

Quantas vezes a gente sobrevive a hora da verdade?


Eu estava escrevendo sobre como dias de ressaca são tão inspiradores quanto o dia seguinte ao pé na bunda quando a seguinte frase surge na timeline do meu twitter:

Aquela sensação de merda de "Ah, se eu soubesse antes"

Se eu soubesse e soubesse que o final não seria igual ao das animações das disney eu teria medo.E o medo me paralisaria.
Se eu soubesse e o final fosse feliz perderia metade da graça. Mas eu saberia que no final tudo acabaria bem.
Se eu soubesse eu teria magoado menos pessoas e me magoado menos ainda. Eu teria escolhido o silêncio mais vezes.
Se eu soubesse eu teria desviado o olhar daquele sorriso, ou teria ignorado aquela sensação boa de quando descobri que além daquele sorriso você ainda tinha o gosto musical incrível.
Se eu soubesse  antes as escolhas difíceis da vida quase não existiriam, na verdade, muita coisa deixaria de existir. Os caminhos certamente não seriam os mesmos, nem os beijos, os gostos, os programas de tv que eu vi, nada seria igual.
O saber mudaria tudo. Tudo mesmo. E principalmente, mudaria quem sou.
Se eu soubesse antes tudo seria mais fácil.
Tudo estaria no seu devido lugar, inclusive todos esses sentimentos bagunçados.
Mas eu não tenho certeza se eu queria saber de tudo antes.










sábado, 10 de janeiro de 2015

A minha,a sua e a nossa obrigação de ser feliz

Eu quero mais é ser feliz, feliz, feliz, correr atrás do que me faz feliz, da minha felicidade, etc e tal.
Mas quando foi que eu comecei a querer ser feliz minha gente?
Em teoria a gente só deseja o que não tem.
Quando foi que eu, você, todos nós, começamos a desejar ser feliz?
No dia que a gente parou de ser feliz. Será? E a gente parou de ser feliz? Nem vi, nem senti.
E quando foi isso? Quem decidiu que a partir daquele momento eu queria ser feliz? Eu?
Ou vai ver você quer ser mais feliz do que já é e eu estou aqui só julgando, se esse é o seu caso, que feliz!  Mais felicidade, que bom, dizem que é melhor sobrar do que faltar.
E quando foi que a felicidade começou a ter segredo? Encontre o segredo da felicidade, que felicidade mesquinha, sete passos para ser feliz, felicidade é tipo exercício físico agora? E os sedentários? Encontre o caminho da felicidade! E se eu não tiver GPS? E se eu gostar do jeito que está? Parece que todo mundo tem que correr atrás dessa tal felicidade, é tipo uma lei imposta pela vida, VOCÊ TEM QUE SER FELIZ, se você não for você é um fracassado, sei lá, acho meio pesado isso, mas é o que dizem por aí, dizem até que a gente era obrigado a ser feliz, no mais, feliz 2015, porque eu acho mesmo que todo mundo nasceu pra ser feliz, fazer o que né? Inclusive, vendo GPS pra quem não tá conseguindo encontrar o caminho da felicidade, dá um alô  por ai que a gente vê como faz.



quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Adjetivo

Tem uma música da Priscilla Novaes Leone que diz assim:

 "Caro é transformar-se em um arremedo de si próprio
A ponto de nem se reconhecer mais".


Reconhecer-se.
Seja o sorriso de canto de boca,
o jeito de falar,
o jeito de pensar,
de se expressar,
o jeito de expressar opinião,
o jeito de não expressar opinião,
todo mundo tem um jeito,uma característica que te define, uma só palavra que diz mais sobre você do que um biografia completa não autorizada, sim, porque as não autorizadas são sempre mais legais.
Não querendo estereotipar ninguém, mas eu acho que somos um conjunto de adjetivos e um resume nossa personalidade. Lembra quando a professora lá na terceira série te ensinou o que eram adjetivos? Eu acredito que todos temos um adjetivo que nos veste perfeitamente.
O problema é quando essa vestimenta não é a mais adequada, desculpe a metáfora pobre, metáforas não são minha praia (ainda estou descobrindo qual minha praia na verdade, mas posso afirmar que não são metáforas). Enfim, o problema é quando o que te define é o pior que existe em você, quando eu era criança e aprendi sobre adjetivos  achei que adjetivo era só coisa boa, por que os exemplos eram sempre: Maria é bonita, João é médico, Pedro é inteligente, nunca eram exemplos com características ruins, mas a gente cresce e descobre que características ruins também podem qualificar substantivos.
Acontece que a gente é apegado a quem a gente é, quem a gente se tornou, fomos moldados pelas nossas experiências, escolhas, e tudo mais que forma a nossa personalidade, auxilia no amadurecimento ou endurecimento, dependendo da pessoa, gostamos de ser quem somos porque somos resultados de tudo o que vivemos. E não gostar disso é admitir que falhamos em algum ponto do caminho.
É admitir que poderíamos ser melhores do que somos.E admitir que podemos ser reconhecidos mais pelos nosso defeitos que pelas nossas qualidades.
E reconhecer isso é duro, porque depois que a gente reconhece a gente se sente na obrigação de mudar, e mudar é admitir que algo não está bom, é assumir uma responsabilidade com você mesmo, e se você falhar com você será culpa sua, só sua e dessa vez não vale dizer "a culpa é minha, boto ela em quem eu quiser" porque só vai ter você para receber a culpa.
E não dá pra fugir de você mesmo.
E não dá pra deixar um adjetivo ruim te definir.
E não dá pra seguir vivendo a vida, porque todo dia você vai se lembrar que a sua maior característica te faz uma pessoa que você não gostaria de ser, mas é.








 Essa maldita mania de viver no outono...
Sara Westphal




segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Aos pessimistas, com carinho

Sobre o direito de desistir

Se você é um desses otimistas incuráveis, por favor, pare de ler esse texto agora, esse texto não vai te fazer bem e vai contra todos os seus valores, contra os valores de todos vocês que acreditam piamente que no final tudo acaba bem.
Todo mundo tem um limite, sim, eu sei que tem gente que parece que não, e sei que essas pessoas são altamente competentes, responsáveis, cumprem prazos e compromissos, são pontuais, são legais, dão conta de tudo, e eu, você e o resto de todos nós gostaríamos de ser assim e são nessas tentativas de querer ser como essas pessoas que a gente costuma se estrepar, com perdão da palavra.  Acorda e diz, cansei, vou ser altamente produtivo a partir de hoje e começa a se testar, assume mais compromissos e responsabilidades, abraça o mundo com as pernas e faz o seu melhor pra tudo dar certo.
Aí um belo dia você descobre que o seu melhor não é suficiente e faz mais e mais e mais e mais e mais e mais e mais e ainda não tá  nem perto de ficar bom, pode até ser o seu melhor desempenho na vida, mas você quer ser uma dessas pessoas de sucesso e sabe que ainda não fez o suficiente.
E as coisas começam a acumular, e você se doa mais e mais e mais e mais e mais e o resultado esperando nunca é bom, porque você está tentando fazer mil coisas ao mesmo tempo.
E sua cabeça vira uma zona e tudo passa a ter prioridade máxima, menos você.
E você dorme menos.
Come mal.
Está sempre correndo.
Sempre ocupado.
E sempre cheio de coisas pra fazer.
Acorda e vai dormir pensando em como dar conta das suas tarefas.
Eu tenho uma coisa pra dizer a você, você tem o direito de desistir.
Não tô falando pra você virar um "desistidor", uma arranjador de desculpas, um medroso.
Tô falando pra você reconhecer os seus limites, saber até onde você pode ir e o quanto você pode avançar, evoluir e qual o momento de parar, se for preciso parar.
Eu sei, essa coisa de você pode, você consegue, basta dar o seu melhor é altamente inspiradora, mas veja lá, não é a coisa mais funcional que eu já vi na vida, até porque eu tenho pouquíssimo pra falar sobre da vida, tem gente muita mais vivida e mais inteligente do que eu pra dar conselhos, eu não dou conselhos, eu só desabafo, obrigado por ler meus desabafos.
Eu queria achar um jeito melhor de poder falar, faz só o que você sabe que vai dar conta e faça bem feito e aumente sua carga aos poucos, faça disso um hábito, não precisa sair perfeito da primeira vez, refine, retrabalho nem sempre é a pior coisa do mundo, sim, tem gente que dá conta, tem gente que consegue por o pé na cabeça, mas não é porque ele consegue que você tem que conseguir. Acredito que a sociedade cobra de nós uma força que somos sim capazes de ter, mas não assim, de repente, a gente evolui, vai crescendo, amadurecendo, se conhecendo e se reconhecendo, por isso eu digo, desista se for preciso, desistir não é atestado de covardia, ninguém trabalha bem sobrecarregado, o emocional falha, a saúde falha, dê um passo atrás, você não vai ser uma pessoa melhor ou pior por isso.
As vezes persistência é só uma máscara pra teimosia, dar murro em ponta de faca, etc.
O sucesso vem com a caminhada e nem todo caminho é uma reta.
Assumir que o caminho escolhido é ruim é o primeiro passo pra mudar a rota.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Primeira pessoa


Eu aprendi a me perder no mundo da leitura lá pelos 10 anos, quando a escola decidiu que já era hora de obrigar as pessoas a comprar o livro que tinha na lista de materiais e poucas coisas na minha vida me mudaram tão drasticamente, eu leio até lista de compras de supermercado se tiver ao alcance dos olhos, menos auto ajuda, nada contra, li até uns 5 ou 6 pra tentar entender porque fazem tanto sucesso, não entendi.
E eu descobri muito cedo que se ler é uma delícia, reler então, é um orgasmo, com o perdão da palavra aos mais recatados, reler te traz sensações novas e inimagináveis, eu aprendi muito cedo a reler livros, tem livros que já li mais de 10 vezes, mas nada me dá tanto prazer quanto reler diálogos.
É na conversa que deixamos escapar as melhores risadas, os olhares de cumplicidade...
E eu registro diálogos desde os meus 14/15 anos.
E como a minha memória é fraquíssima isso me faz lembrar de como eu era, do que ainda sou, porque algumas coisas são nossas pra sempre.
E as promessas de pra sempre...
E as promessas corriqueiras...
Registrar diálogos faz com que as nossas memórias fiquem mais limpas, impede que o passado deixe tudo a meia luz, enfeitando o que não era tão bonito assim e escondendo o que é.


sábado, 12 de julho de 2014

Beijo

Helena

~ Leia ouvindo Radioactive, Imagine Dragons ~

Helena sustentou o olhar e ele veio, sem meias palavras, sem aquele sorriso de bambear as pernas, sem aquele ar de seriedade que costuma intimidar as pessoas que não o conhecem bem.
Só veio.
E quando deu por si tudo que ela sentia era o corpo dele junto ao seu, a boca dele junto a sua, tanta coisa não dita, tanto a se dizer, no salão ninguém prestava atenção naquele casal, ninguém sabia que aquele beijo era o beijo mais importante da vida de Helena, nem Helena tinha ciência disso, tanto que esqueceu que aquela boca não era do seu namorado.
Ele, que era dono do seu coração, dono dos seus pensamentos. Era por ele que Helena fechava os olhos pra ouvir o coração, era a voz dele que permeava seus pensamentos noturnos e era pela companhia dele que ela ansiava nas noites de insônia, mas não era ele que estava ao lado dela. Ele era um desencontro. Foram muitas as tentativas, infinitas, mas tudo sempre resultava em mais desencontros até o beijo.
E depois do beijo teve uma noite, conversas, diálogos sobre nada importante, risos, vinho, mais beijos.

E um choque de realidade. Helena encontrou os amigos do namorado, que souberam, fizeram um auê e então encontrou o namorado. Um rapaz adorável, aquele que toda sogra sonha, mas Helena ainda não era sogra, terminou, o moço em questão logo arrumou um moça adorável, que toda sogra sonha também, a ex-sogra não achava Helen adorável.
Nesse momento Helena acordou, ainda com a sensação do beijo percorrendo seu corpo, eram 3 horas da manhã, mandou um sms pro namorado sonho da mamãe e foi pra varanda digerir o sonho.
As luzes da cidade não seriam suficientes pra tirar o beijo dos seus pensamentos, acendeu um cigarro.


terça-feira, 8 de julho de 2014

Nestes braços tais ♪

Não se dê ao trabalho.
Veja bem, se for só por obrigação, não precisa nem se explicar.
Nem os pombos da minha rua vivem só de migalhas,
nem as ratazanas do esgoto vivem só de migalhas.
Então, se for por obrigação nem precisa me procurar,
dispenso suas desculpas esfarrapadas, poupo meus ouvidos, meu tempo e meu ego.
Eu não sou de vidro.
Eu não mereço sua pena.
Nem sou mais criança, veja bem, se quiser ir vá.
Se quiser vir, venha.
Mas não use muitas palavras, não gaste muito do seu tempo, não desgaste a sua lábia.
Venha só se quiser, só venha se cada célula do seu corpo ansiar por isso.
Mas não venha nunca só por obrigação.
Não ligue.
Não visite.
Não se desloque nem em pensamento se for só por obrigação.
E dessa maneira quando chegar saberei que veio por que quis
E quando vieres, aaaah, quando chegares...
Saberá que eu também não te espero por obrigação.


Veja bem além destes fatos vis
Saiba, traições são bem mais sutis
Se eu te troquei não foi por maldade
Amor, veja bem, arranjei alguém
Chamado "saudade"

Veja bem meu bem, los hermanos